segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Apenas uma ideia...


Projecto de financiamento de jogadores

Em virtude da ruptura financeira dos clubes locais, surgiu a ideia de, através da angariação de patrocínios, conseguir colmatar os valores que são dispendidos pelos jogadores, nas deslocações para e do futebol.
A inscrição de um plantel sénior e a sua manutenção, quer em termos de infra-estruturas quer em termos de pagamento de licenças e policiamento é elevada.
Todas as épocas os clubes amadores e distritais que inscrevem ou pretendem inscrever uma equipa sénior, começam com um saldo negativo de cerca de 5000 euros. Depois é necessária a devida angariação de verbas para contrabalançar este peso.
Em outros momentos, vários modelos têm sido adoptados. Clubes que acordam um valor com o jogador e comprometem-se ao pagamento regular e periódico ao jogador. Pessoas que conseguem angariar um grande patrocínio, e que posteriormente é repartido equitativamente pelos membros da equipa.
O que se propõe é aqui é um pouco diferente.
O conceito passa por tornar os próprios jogadores, como vendedores e angariadores do clube.
Inicialmente os jogadores assumiram o compromisso de fazerem parte do plantel com um custo 0, em termos de remunerações regulares e periódicas.
O compromisso mantém-se, os jogadores estão e estarão no clube a custo zero, relativamente a remunerações regulares e periódicas.
O objectivo deste modelo é exactamente esse.
Pretende-se que os jogadores angariem eles próprios patrocínios para o clube, de que forma?
Dentro do círculo de amigos que possuem, ou mesmo junto das empresas a que têm acesso, ou até do comércio local.

Qual a vantagem?

- O clube passaria a ter 25 novos angariadores, que poderiam angariar de 50 euros a 5000 euros, o valor após entregue ao clube pelo patrocinador seria distribuído da seguinte forma:
- 50% do valor seria destinado ao clube;
- 50 % do valor seria acumulado, na conta do jogador, sendo posteriormente entregue ao jogador de uma forma regular e periódica, até que a época termine.

Porquê de 50 euros a 5000 euros?

a) O Jogador Z1, angaria 5000 euros, junto da empresa X1. A empresa X1 entrega ao clube 5000 euros, onde 2500 euros são para o clube e os restantes 2500 euros, são distribuídos pelos meses que faltam até terminar a época. Se estivermos em Novembro e a época terminar em Junho, teremos 2500 euros a dividir por 7
meses, que é equivalente a dizer que o jogador a partir desse momento, recebe 357 euros por mês.

b) O jogador Z2, consegue junto do comércio local, 20 patrocínios a 50 euros, perfazendo um total de 1000 euros. 500 euros serão para o clube e os restantes 500 euros serão distribuídos pelos meses que faltam até terminar a época. Se estivermos em Agosto, quer dizer que o jogador passa a receber de uma forma regular e periódica, 50 euros.
Em virtude do primeiro exemplo, surge o problema do tecto salarial, poderá no entanto a direcção do clube estabelecer um tecto salarial e as verbas excedentárias são distribuídas equitativamente pelos jogadores que menos auferem no clube.
O tecto salarial deve ser definido antes da implantação do projecto.

Valores exemplo para o tecto salarial:

2.ª divisão distrital, 200,00 €
1.ª divisão distrital, 500,00 €
3.ª divisão nacional, 1 500,00 €
2.ª divisão B, 5 000,00 €
2.ª liga, 50 000,00 €
1.ª liga, 150 000,00 €

Porque é que o jogador recebe o que angaria e não partilha com os outros?

Se o jogador angariar para todos, há sempre quem pense, “eu trago o patrocínio e não recebo quase nada por isso, dá mais chatice do que ganho”.
Se o jogador tiver uma boa parte do dinheiro angariado, que depois é distribuído pelos meses em falta até ao fim da época, aumenta-se exponencialmente a motivação para conseguir angariar mais verbas. Quanto mais angariar, mais ganho.

Porque não usar a verba para incentivar com prémios de jogo?

Os prémios de jogo, possuem muitas variantes, as quais, nem a equipa técnica nem os próprios jogadores conseguem controlar. Este projecto visa, melhorar financeiramente os clubes, compensando ao mesmo tempo os jogadores, sem colocar em causa a “saúde” financeira do clube.
O que dizer se o clube no final da época, tiver dispendido 15 000,00 € em remunerações regulares e periódicas?

Quer dizer, que os jogadores conseguiram angariar, 30 000,00 €, dos quais, 15 000 € foram directamente para o clube, cobrindo o custo inicial de 5 000,00 €, fruto de despesas com inscrições e policiamento e os outros 15 000,00 € serviram para pagar aos jogadores de uma forma regular e periódica, tendo o clube um ganho de 10 000,00 €, que não estavam previstos no início da época.

O que seria necessário fazer para iniciar o projecto?

Para cada jogador, seria criada uma “conta”, não uma conta bancária, mas seria coordenado pela tesouraria do clube, as contas de cada jogador, para que facilmente se soubesse sempre, quem tinha angariado verbas e quanto é que tinha a receber.
Seria necessário criar um documento controlo, que os jogadores tivessem, onde estivesse descrito o valor que o patrocinador se comprometia a entregar ao clube, bem como as informações necessárias para a correcta indentificação do patrocinador.
Conclusão:
Este projecto é apenas uma ideia, que resolvi partilhar com outras pessoas e a essas peço que partilhem com mais pessoas ainda.
Espero que a partir desta ideia, alguém consiga criar um projecto mais sólido e mais forte e com isso, melhorar as condições quer dos jogadores que poucam ganham quer dos clubes que vivem dias difíceis e não encontram forma de dar a volta.
Desta forma, os jogadores ao ficarem ao serviço do clube, ficam porque aceitam as condições mínimas que o clube pode oferecer.
Os jogadores não ficam no clube, pela verba que o clube lhe oferece, ficam pelas condições mínimas, já que o restante é ganho por mérito do trabalho de angariação de cada um.
As diferenças nas verbas que cada jogador aufere, não influem no balneário, porque os jogadores não recebem pela qualidade de futebol que praticam, mas sim em função das verbas que angariam.
Poderá dar-se o caso oposto, em que após o projecto estar em funcionamento e os patrocinadores tomarem conhecimento do projeto, poder haver um patrocinador que chegue ao clube e que entregue uma verba, e que dê a indicação de que jogador é que ele quer que usufrue, no caso de empresas de familiares, em que um pai ou um tio, quer patrocinar o clube e faz questão que a verba reverta a favor do filho ou do sobrinho.
Os jogadores antes de iniciarem o processo de angariação deviam ser instruídos sobre os argumentos que devem apresentar aos patrocinadores (ex: melhoramento de balneários, novo piso para o campo, ampliação de infra-estruturas, criação de ginásio no clube, etc).
Esta iniciativa pode ser alargada às equipas técnicas.
Todos os valores sugeridos neste documento, são apenas sugestões e poderão e deverão ser alterados.

Sérgio Alegria, técnico de futebol nível II

Sem comentários: